Exposition Virtuelle “La mémoire trempée: Arthur Camargos et Davi Nascimento”

O Centre Culturel du Brésil apresenta sua primeira exposição virtual, Arthur Camargos e Davi Nascimento: a memória encharcada de 21 de Março à 24 de Junho de 2016. Com curadoria de Danilo Lovisi (École du Louvre) sob a direção de Juliane Oliveira (cofundadora do CCB) o público é convidado a descobrir, de forma íntima e crítica, a criação individual de cada artista, assim como a prática elaborada em conjunto pelos dois mineiros, incluindo uma vídeo-performance inédita, preparada exclusivamente para a exposição.

Vindo de Pirapora no estado de Minas Gerais, Davi Nascimento trabalha com os ecos físicos, psíquicos e memoriais do lugar de sua origem – no seu corpo, nos seus gestos. Por meio de uma prática artística mista que percorre, com a ponta de seus dedos úmidos, a aquarela, a fotografia e a performance, ele utiliza seu corpo como instrumento de medida do mundo; e igualmente como um objeto sensível à menor vibração memorial. A lama, para Davi, é um material de criação. Presente na memória ribeirinha do artista, da infância barranqueira ao redor do Velho Chico, ela é diluída, aquarelada, revisitada, até tomar conta da tela, na alteridade do mundo.

Arthur Camargos, nascido em Patos de Minas, possui na prática do desenho uma pesquisa artística em constante transição. Sua obra parte de linhas finas que mimetizam os movimentos das trepadeiras de seu quintal, até se deixar penetrar pelo tempo e pela prática da performance – um tempo outro, sim – praticamente indissociável da vida dita real. Seu corpo ativa lugares, ele diz. Lugares utópicos, feito um apartamento selvagem que pode ser ativado e desativado em qualquer lugar. Um trabalho que deu curso a uma série de outras obras que vão da performance, fotografia, da memorialização de objetos do cotidiano, até chegar – e retornar – à uma pesquisa corporal por meio do traço no papel. Sua obra é permeada por uma estética kitsch, bruta e queer. Um kitsch todavia crítico e utópico, uma brutalidade reivindicada e consciente, e um queer atravessado por outras problemáticas.

Na prática conjunta, eles recuperam objetos do cotidiano e lhes dão um outro sentido, adicionando eu – por meio de poemas em prosa que acompanham as obras – de maneira subcutânea e memorial. Além disso, reativam práticas de suas próprias criações individuais. A memória é, aqui, encharcada: de água, de lama e de vida.

de 21 de Março à 24 de Junho de 2016

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